Vivam! Um dia resolvi fazer um baixo á medida, com tudo o que havia de bom. Peguei num Washburn XB-400, por sinal, um dos melhores baixos de gama baixa e "chipei-o". PUs e pré Bartolini, tampa da electrónica e pilha em acrílico transparente, pintura personalizada do logotipo feita pelo meu grande amigo e não menor artista Fernando Jorge, descascado e encerado á maneira. Mas não tinha bem "aquele som"... Os fabricantes e luthiers passam muitos dispendios a aprumar os seus intrumentos e muitos também não soam e somos nós que faremos melhor? Ora... parti então em busca do SOM PERFEITO. E muitos baixos depois, encontrei dezenas de instrumentos excepcionais.
     Estas páginas não pretendem ser mais do que uma amostragem e um registo de informações que para mim foram úteis e que poderão ter alguma curiosidade para os amigos baixistas. Vamos lá!

    
  

1
FENDER
MUSICMAN
YAMAHA
KRAMER
JAYDEE

2
BASS COLLECTION
IBANEZ
RICKENBACKER
ZON
STATUS
PEDULLA
ALEMBIC

3
PEAVEY
WARWICK
KUBICKI

4
WAL
FODERA
KEN SMITH
JERZY DROZD
SCHACK

5
ENCONTROS

6
FX, AMPS E COLUNAS

 

      Nos tempos idos de 1983, o meu primeiro baixo foi mesmo uma guitarra acústica com um microfone enfiado lá dentro e fita cola a fixar o cabo para não estorvar as cordas! E depois, já nos palcos a sério, uma cópia da Fender Telecaster Bass, que foi emprestado pelo Zé Maduro no Escape Livre. O Veríssimo era o teclista e tinha um synth mono Teisco, percursora da Kawai e um Goodin Strings. Era o tempo dos Farfisas, dos FBT, dos EKO e a Furacão vendia amplificadores como tremoços. Estavam a aparecer os primeiros PAs e a aparelhagem do conjunto era um amp com várias entradas apenas para as vozes e bateria e duas colunas com quatro altifalantes full range.

1983, Escape Livre com Veríssimo, Zé Maduro e Paulo Cavadas

1986, Escape Livre com Lita Papel, Zé Maduro e Pedro Simões. O amp aqui era um combo Furacão 15''

    Com 13 contos (65 euros) comprei o primeiro baixo mesmo meu: um Egmond. Sunburst, com cordas com uma cobertura de plástico e um empeno considerável no braço! Durante os anos 60, os irmãos Egmond foram dos maiores luthiers da Europa  na Holanda e mantiveram a actividade até ao início dos anos 80, altura em que a firma faliu por não conseguir concorrer com os novos modelos japoneses. Quando somos putos não pensamos e, então, o pobre baixo foi descascado e pintado com spray. Na cabeça que era sunburst a condizer com o corpo, passou a figurar a inscrição "Fender". Claro... toda a gente queria ter um Fender. Recentemente está activo um site da marca, por curiosidade:  http://www.egmondguitars.nl


 Egmond, Agosto 1985

 

FENDER

MUSICMASTER BASS

   Por falar em Fenders... Este Musicmaster custou 30 contos (150 euros), em 1986. Fui buscá-lo a Vale de Cambra com o nosso amigo Lita Papel, na altura companheiro da banda. Serial xxxxx. E um instrumento de aprendizagem, de escala curta 3/4, 30'', uma versão mais simples do Mustang Bass.
    A Fender produziu estes baixos entre 1971 e 1981. Eram feitos com restos de outros modelos. O corpo era aproveitamento do Mustang e os pickups eram de guitarras, com seis polos e não quatro. No início foram produzidos alguns em azul com guarda-unhas em madre-pérola, mas as cores fundamentais eram o preto, o branco e o vermelho e mais tarde foram introduzidas outras cores de outros modelos. Em 1981 foi lançada a linha Squier e os modelos mais baratos da Fender foram descontinuados. São dos modelos menos valiosos dos vintage Fenders. Ainda assim foram usados por gente famosa como Jim O'Rourke dos Sonic Youth, Alan Lancaster dos Status Quo, Dee Dee Ramone ou Tina Weymouth dos Talking Heads ou o Helder dos Clã..
   

1986, Escape Livre: Lita (guitarra/voz), Zé Maduro (bateria) e Pedro (teclados)

    O baixo aparece no vídeo dos Sacerdotes de Alquimia (1997) filmado pelo João Portugal (esse mesmo), na praia de Vieira de Leiria. O som, contudo, é do MM SR 94.

    Recentemente, em 2010, um segundo MusicMaster igual, serial 550789, de 1974, fez companhia ao primeiro.

1975

1974

 

JAZZ BASS

 O Jazz Bass foi o segundo modelo da Fender, a seguir ao P bass. Foi introduzido em 1960 como "Deluxe Model" e logo rebatizado de "Jazz Bass". O braço é muito fino e tem dois PUs single-coil bobinados á mão, com dois polos para cada corda. O som é mais recortado e médio do que o da P Bass. é um standard e um instrumento imprescindível. Os primeiros modelos tinhas dois botões concenctricos, com volume e tonalidade para cada pickup, nos dois primeiros anos de produção. Em 1961 passou a ter 3 botões, como ainda tem hoje, um volume para cada PU e um botão mais pequeno de tonalidade.
   Em 1965 a CBS comprou a Fender e algumas alterações surgiram. Os pontos passaram a ser de madre-pérola e as cravelhas ovais. Ainda em 1966 os pontos foram substituídos por rectãngulos de madre-pérola e os braços de maple foram disponibilizados como opção em 1967. No princípio, os braços maple tinham os rectãngulos pretos, mais usados em 1973. São muito raros os braços maple dos anos 60, assim como são mais raros os braços rosewood nos anos 70. Nos finais de 74, inicio de 75, a placa de fixação do braço passou para 3 parafusos com um mais pequeno de ajuste da inclinação do braço - tilt. 
     Os números de série eram inscritos até 1965 na chapa do braço, de 1962 a 1965 com um "L" a anteceder. Esta é conhecida por série L. A numeração seguiu até 1974 já sem o L, sempre na chapa do braço. Em 1965 o Logotipo aparece em letras grandes na cabeça e esta ficou conhecida como série "F". Em meados de 1976 o número passou para a cabeça, debaixo do logotipo, antecedido de uma letra referente á década, no caso, "S" de seventies. Nesta altura os baixos ficaram mais pesados, com braços mais bujudos. Esta é uma fase de decadencia que culminou em 1983 com a venda da Fender a um grupo de investidores. O clássico jazz bass voltou a ter a chapa de quatro parafusos e com capas dos pickups em branco. Novos variantes se seguiram, nenhuma conquistando a notoriedade do velho Jazz Bass clássico.
     A datação dos velhos Fenders não pode olhar apenas ao número de série, mas ao conjunto de todas as caracteristicas e numerações do instrumento encontradas no braço, no corpo, nos PUs e potenciómetros. Isso requer algum conhecimento nos números que não os da data e que á frente podemos ver na descrição do Precision Bass de 1974.
      Os números de série até 99999, sem o L, são anteriores a meados de 1963. De 1962 até 1965 a série L distribuiu-se do L00001 ao L9999. A série F, de finais de 1965 a meados de 1976:
       De 100000 ao 300000, de finais de 1965 a 1970
      
De 300000 a 330000, de 1971
       De 330000 a 370000, de 1972
       De 370000 a 520000, de 1973
       De 520000 a 580000, de 1974
       De 580000 a 690000, de 1975
       De 690000 a 750000, de 1976.
       Depois de 1976, a letra indica a década, S e o primeiro algarismo, geralmente é o ano. Mas não é clara a datação de um Fender.
     O meu FJazz cor de madeira com braço maple, de 1974 é um exemplo desta confusão.  Foi o meu instrumento principal durante muitos anos. Comprei-o por volta de 1987 mais uma vez aoLita Papel, por 100 contos (500 euros). Na altura já tinha começado a trabalhar e ganhava o equivalente a 300 euros por mes. Apesar do serial ser  xxxxx  de 1973, tem características introduzidas em 1974 como o pickguard branco e mesmo de 1975, como a placa de 3 parafusos, mas com o serial nela inscrito e o "bullet truss road". Em 1974 o apoio do dedo passou do lado inferior das cordas para o lado posterior.
       Fazem-lhe companhia mais tres vintages, de 72, serial xxxxxx, 73, serial 376xxx, corpo em alder, guarda-unhas tortoise, escala rosewod, pots 13773xx, PUs xxxx73, 3,9 Kg de peso e o característico parafuso longo de afinação das oitavas do E,  e ainda de 74, serial xxxxxx, escala maple, todos devidamente no seu estado original.

1974

Em 1988, no Bar Gladius, atrás do Mosteiro da Batalha. Nesta altura a música dos bares era bossa e clássicos, mais para entreter o ouvido.

1972

1973

1974

Os mesmos de 1972 e 1974

 

PRECISION BASS

   O Audiovox foi o primeiro baixo eléctrico inventado, nos finais dos anos 30. Mas o P Bass em 1951 foi o primeiro baixo eléctrico do Leo Fender a ser produzido em série. Substituiu os contrabaixos e foi uma revolução na altura. O primeiro modelo era baseado na guitarra Telecaster. Em 1957 ganhou a forma que ainda hoje tem, mais próxima da Stratocaster. O PU passou a hambucker e a escala passou a ser rosewood até 1966. As escalas rosewood são mais características dos anos 60 e as maple dos anos 70. O P Bass é o modelo mais copiado de sempre e tem um som standard típico do som Motown, do disco-sound e dos blues e, apesar de não ser um baixo muito versátil, tem um som que o torna indispensável.
    A Fender continuou a produzir o P Bass até aos dias de hoje. Depois de meados de 76 começou a série S, conhecida como decrescente em qualidade. A Fender acabou por praticamente falir em 1983, sendo comprada por um grupo de investidores.  
   A propósito das datas dos Fenders,
reproduzo parte do mail que o baixista italiano Giuseppe Zavanone, dos Ira Zero, a quem comprei o meu P Bass de 74, me enviou e que contém informação útil. Quando estava a negociar com ele, hesitei entre comprar este baixo e um mais recente com a pintura em melhor estado. Ele repondeu-me que, geralmente, um baixo com sinais de uso é porque foi muito usado, porque tem bom som... Se o baixo estiver novo, salvo por outras causas, em princípio é porque foi pouco usado porque, provavelmente não toca tão bem. Ponto de vista curioso...
  
     Hi Fernando! As you see serial code on the pots is end of 73, 74 on the pickups, 74 on the neck stamp. As you can read on Fender site dating page intro: 'due to Fender's modular production methods and often non-sequential serial numbering (usually overlapping two to four years from the early days of Fender to the mid-1980s), dating by serial number is not always precisely definitive'.
       In fact they put easily 600000 for 76, but fender doesn't know so much of its own history (they produce wrong reissue of 75 Jazz bass with 73 black blocks) and you can see that the most reputated site http://www.provide.net/~cfh/fender.html move 74 until 580000. My favourite book: "The Fender Bass An Illustrated History" page 104 puts 74 production on 510000 to 610000. I can give you a copy of this page if you can't reach the book, absolutely a bible to fender collectors.

      O meu primeiro P Bass era fretless, de 1979, comprado ao Amilcar do TV5 por 500 euros por volta de 1990. A Fender só no início dos anos 70 lançou este modelo fretless e, durante anos nunca capitalizou o potencial que Jaco Pastorius deu ao uso do instrumento. Este é de 1974, serial xxxxxx e é o preferido para as sessões de estúdio do Lino Vinagre. No braço tem o código 0103-4945, que se traduz desta maneira: 01=Precision Bass, 03=braço maple com escala rosewood, 49=semana de fabrico, 4=ano (1974), 5=dia útil da semana, sexta-feira no caso. Os baixos mais antigos eram mais leves e tinham melhores escalas. Este pesa apenas 3,7 Kg e, contrariando a ideia de que um instrumento pesado soa melhor, tem muito bom som.
     Ainda para companhia, um de PBass de 1975, braço maple, sunburst que veio acompanhado com o cartão de garantia da Fender e demais papelada, em nome do dono original, em estado novo, ainda com as cordas flatwounds originais. Provavelmente nunca foi tocado. Lá está na parede a render sem se mexer, lol.


1974

1975

JAZZ BASS PLUS

1990

       Em 1990 a Fender começou a produzir o FJ Plus de 5 cordas, um ano depois do modelo de 4 cordas. Tinha 22 frets, escala de pau ferro, corpo em amieiro (alder), hardware Schaller e electrónica do Philip Kubicki, com um comutador de 3 posições - activo, passivo e mute e com os Sensor-Lace PUs da Fender, activo de 9 volts. Este tem o serial N003050. Os guias das cordas e os botões são dos Kubicki.  O Kubicki produz com o seu nome um dos baixos mais singulares e com o som mais interessante que existe, o modelo Factor e Ex-Factor, que mais adiante veremos. Aqui podemos ler  como trabalhou pela primeira vez na Fender, em 1963, a fazer guitarras acústicas. Trabalhou lá nove anos:

 http://www.vintageguitar.dreamhosters.com/1763/philip-kubicki/

    Voltou á Fender nos finais dos anos 80 e lá trabalhou na Custom Shop no inicio do contrato com a Fender, pelo menos em 1989. Era um luthier muito considerado e fez guitarras para George Harrison e Hendrix. Estes Fender Jazz Plus, apesar de terem algumas peças Kubicki, sendo já dos anos 90, já não tiveram a mão do mestre. A produção foi curta e encontram-se relativamente baratos. Foi substituido pelo modelo USA Deluxe.

Família Fender que resta lá por casa: Precision 75, 74, Jazz 73, 72, 74 e 74
 

MUSICMAN

STING RAY BASS

   Quando o Fender vendeu a firma á CBS, em 1965, ficou contratualmente impedido de fazer guitarras e baixos durante uns anos. Ainda antes desse impedimento terminar, os sócios do Fender combinaram com ele começar uma nova marca. Assim, em 1971 nasceu a Tri-Sonic, rebaptizada em 1973 como Musitek e finalmente em 1974 como MusicMan. A empresa dedicava-se ao fabrico de amplificadores. O Fender tinha também a CLF que em Junho de 1976 começou a fazer guitarras e em Agosto, baixos, em Fullerton. Os instrumentos eram depois enviados para a musicMan que os distribuía. Foram desenhados pelo Fender e por Forrest White, assistidos pelo Sterling Ball que mais tarde viria a comprar a MusicMan.
    Foram os primeiros baixos activos. O SR Bass vendeu muito bem. Tinha electrónica muito avançada, concebida por Tom Walker. Em Dezembro de 1978 uma versão com dois PUs saiu. Chamava-se Sabre Bass e foi descontinuada em 1991. Problemas na pintura levou á devolução de muitos instrumentos da MusicMan á CLF o que criou problemas financeiros e desentendimentos entre os dois sócios. Em Outubro de 1979 o Fender deixou a sociedade e começou a criar baixos com outra marca em Março de 1980, a G&L. Nesta altura, corpos e braços eram comuns nas duas marcas, até 1981. Para além disso, foram feitos 2500 braços com o truss road direito, o que gerou mais problemas entre as companhias, sendo as vendas muito baixas. Nos finais de 79, o Fender e os sócios já não se falavam. No período de transição, a produção foi assegurada por Grover Jackson que obteve grande sucesso nos anos 80 com as suas marcas Charvel e Jackson. Em Junho de 1984, a MusicMan foi vendida ao Sterling Ball. A produção de amplificadores acabou. Os baixos e guitarras seguiram o caminho que se conhece, continuando a ser instrumentos de referencia e talvez os melhores baixos na relação qualidade/preço. A nova produção começou em 1985. Em 87 surgiu o SR5, o Sterling em 93 e em 2003 o Bongo. Em 2000 a EB fez uma versão mais barata do SR, o S.U.B. que foi descontinuado em 2007 devido á subida dos custos de fabrico. A par destes modelos, a EB tinha uma linha mais barata, OLP, que foi descontinuada em 2009, tendo começado a série Sterling (que nada tem a ver com o modelo Sterling Bass). Depois do sucesso que teve o Bongo, foi introduzida a opção de dois PUs em todos os modelos, com opções HH e HS.  Os conhecidos abafadores da bridge deixaram de ser aplicados em 1994 e depois dum período de transição, em 1996 as pontes passaram a ser mais curtas.
     O StingRay é muito conhecido e preferido pelo seu som gordo usado no rock e no funk, excelente para slap e extremamente bem contruido. A melhor fase, segundo os entendidos é do início dos anos 90, os modelos que tem seis parafusos na fixação do braço.  O som do SR pode ser ouvido em inúmeros marcos da música como toda a obra dos Chic (Bernard Edwards), Billy Jean do MJ (Louis Johnson), toda a discografia da Sade (Paul S. Denman),  Another Bite e outros temas dos Queen (John Deacon), todos os temas dos AC/DC, Rage Against The Machine até 1995, The Cars (Benjamim Horr), Cure, Red Hot Chilli Peppers (Flea), e por aí fora, Roger Waters, Radiohead, Guy Pratt (Pink Floyd), Foreigner, Pino Paladino (actualmente nos The Who) e mesmo no jazz, (Gary Grainger com John Scofield, "Still Warm", disco obrigatório).
      Este SR é de 1994, comprado nessa altura em que não havia internet nem representante em Portugal. Foi o meu baixo principal durante muitos anos. Custou na Sinfonia em Leiria 290 contos, (1450 euros). Serial XXXXXX.

1994

      A Musicman faliu em Outubro de 1983. O Ball comprou a MusicMan em 1984, salvando a marca. Desde o início a trabalhar com o Fender, o Ball preocupou-se com a continuidade da qualidade dos instrumentos. Só em 1987 o logotipo passou a ter o nome Ernie Ball incluído. Este pre-Ernie Ball foi comprado ao Ricardo Duarte, do Algarve, bacano que passou a vida a tocar pelos casinos. O baixo foi comprado no Caius em 1983 e veio em estado praticamente novo, com caixa creme e correia preta. ´`e um dos ultimos exemplares feitos pela marca original. Na altura os MM eram distribuídos com correia preta ou castanha, consoante a cor do instrumento. Incrivelmente, andou meses no OLX por 1000 paus, sem que ninguém lhe chegasse.        


1983

SABRE BASS

      O MM Sabre Bass foi introduzido em finais de 1978. O circuito é diferente do StingRay, assim como o corpo era ergonómico por trás enquanto que o SR não. Os braços são maple, salvo raras excepções que apareceram como opção em finais de 1979. Os PUs mais pequenos que os da SR, o braço bolt-on de 3 parafusos, bridge em ferradura e as cordas entravam normalmente na bridge, ao contrário do SR que eram throu body. Tem 3 switchs para várias configurações dos pickups... o primeiro da frente é um selector de pickups, o do meio faz fase, baixando drasticamente o som (parece inútil) e o terceiro é para dar mais brilho.
       Em 1983 os selectores foram substituidos por um único, mas os PUs passaram a sopbars sem os polos á vista. O pre passou a ser Ernie Ball em substituição do velho MusicMan. Algumas alterações foram sendo feitas. Em 1987 havia a opção do pré de 3 bandas com o pré do SR 5 que surgiu nessa altura. Em 1989 o neck bolt-on passou a seis parafusos, continuando a haver também com quatro e em 1990, o pré passou a ser em formato de meia lua como a alteração do SR5. Em 1991 acabou a produção. ´`e um excelente baixo, mas as opiniões sempre se dividiram, nem obteve nunca o sucesso de vendas do SR.
      O primeiro, de 1980, orignalmente de cor natural madeira, foi pintado de preto e posteriormente sunburst. Esta pintura distingue-se duma original porque geralmente na transição do preto ficam pequenos pontos na passagem.  O meu segundo Sabre é de 1979, sunburst, braço maple, serial xxxxx, estando em estado novo. Os MM Sabre vinham num dos estojos mais emblemáticos, o famoso estojo em lágrima, que de origem trazia uma bolsa com o respectivo logotipo, para guardar o cabo e a correia que acompanhava o instrumento. Só em 2003, a MM viria a ter outro instrumento com dois PUs, o Bongo (mais abaixo). Muitos Sabres tem notórios problemas no braço, provavelmente devido ao conhecido episódio dos braços: na altura do desentendimento entre a Musicman, que distribuía os baixos e a CLF que os fabricava, foram feitos 2500 braços com o trussroad direito. A afinação do trussroad limitada e o facto de os braços serem finos, faz com que muitos baixos tenham algum ligeiro trastejamento. O Leo Fender, aborrecido com a situação entre as duas empresas, começou a fazer um novo baixo, o G & L.

    1979

1980

STERLING

    Em baixo, de 1993 o Sterling lined fretless. Foi um modelo que surgiu nesse ano. Depois do StingRay 5 foi o segundo novo modelo criado pela EB e atenção: não confundir com a linha Sterling recém lançada, que é uma linha barata sob essa designação e não MusicMan. O corpo mais pequeno do que o SR e o braço mais estreito, tendo um switch como o SR5. O Ernie resolveu põr o nome do filho ao baixo. Foi o meu segundo fretless (depois do P Bass 79) e comprei-o em Londres. Serial xxxxxx. Utilizei-o para gravar o tema instrumental "Retorno A Um Sítio Novo" no album dos Sacerdotes de Alquimia. Em baixo, o diagrama.

 

 

1993

BONGO

    O Bongo foi lançado em 21 de Março de 2003 na NAMM e é o primeiro instrumento inovados, em muitos anos. Foi concebido pelos designers da BMW e a electrónica por Dudley Gimpel e Cliff Hugo (baixista dos Supertramp). Foi o primeiro baixo desde a Sabre a ter pickups de neodymium duplos em várias configurações H, HH, HS com e sem piezzo com um pré de 18 volts. Todos são feitos de basswood com braço de maple e escala rosewood, pau ferro no caso dos fretless e pintados.  Tem 24 trastes com inlays de meia-lua. Devido á sua forma é conhecido como "tampa-de-sanita". Tem um range de sons possíveis muito grande, o que faz do Bongo um baixo muito versátil e poderoso. Algumas criticas negativas referem-se á proximidade demasiada do PU do braço, o que pode dificultar o slap. Tem um comprimento maior que os outros baixos o que faz com que seja difícil encontrar algum sem uma batida na ponta da cabeça (!). Foi uma aposta certa da MM. Vários músicos famosos adoptaram-no, como Dave LaRue, Cliff Hugo, John Myung, Phil Chen, Tony Levin. Em 2008 foi lançado o modelo de 6 cordas. Este comprei-o na Alemanha, serial xxxxxx. Configuração HS, com ponte Piezzo com a possibilidade de ajustar o som de cada corda individualmente. Um pre muito complexo, grandes possibilidades de sons, grande baixo.
     Um site não oficial, reune a mais completa informação que há sobre MusicMans. www.musicmanbass.org

STING RAY 5

       Foi introduzido em 1987 e foi o primeiro modelo completamente novo concebido e produzido em San Luis Obispo pela equipa Ernie Ball. Até esta data, apenas eram feitos os modelos Sabre e StingRay criados pelo Leo Fender. O SR5 foi baseado na guitarra Silhouette e no SR de 4 cordas, com algumas inovações como o PU cerâmico, com cancelamento de ruído e switch para opções de série e paralelo. No início dos anos 90 o PU passou a ser de alnico e em 2005 foi introduzida a opção de 2 PUs em várias combinações de hambucker e single coils, como em todos os modelos. Os numeros de série com 5 dígitos usaram-se até ao 59999 até Janeiro de 1998. Depois o serial passou a ser precedido dum "E", começando de E00001. Este SR5 é o 600º, com o serial 50600, feito em  13 de Janeiro de 1989. A côr original sunburst (versão antiga do honeyburst/mel), a placa do braço ainda sem a marca "MusicMan", a tampa metálica da pilha, pestana normal, acção baixa e grande som tornam-no numa peça especial, representativo de como eram os primeiros SR5. Este modelo é um dos melhores baixos de 5 cordas feito, é um standard e com ele foram gravados milhares de albuns.

G & L

L-2000

    Depois da confusão na MusicMan e ainda mantendo a ligação áquela empresa, em Outubro de 1979, o Leo Fender começou a construir a sua nova marca, G&L, iniciais do seu amigo Gerge Fullerton, companheiro de sempre na Fender e a sua própria. Daí que, embora a G&L seja estabelecida em  Maio de 1980, há corpos com data de 1979.
     Surgiu, assim, segundo ele, o melhor baixo que fizera até então: o G&L L-2000, (feito após o L-1000), com PUs activos, dois hambuckers, a soarem melhor do que a Sabre Bass e o StingRay, segundo ele próprio. Realmente é um instrumento possante, com grande som e com mais algumas inovações. Uma delas são os polos dos PUs ajustáveis (como os Ken Smith), outra a utilização de alumínio nos mastros das cravelhas, de forma a tornar o baixo mais leve. O baixo manteve-se sem grandes alterações, até que 1998 o corpo de  ash passou a ser alder. O braço passou a ser fixado com seis parafusos, sem a placa e a dimensão do corpo teve um ligeiro ajuste.  O modelo ASAT surgiu em 1991 e foi o ultimo modelo em que o Fender trabalhou. Tinha o formato da Telecaster e, no fundo, era uma versão do L-2000. O formato, não é mais do que o dos actuais Fodera Imperial... O Leo inventou mesmo quase tudo. Em 21 de Março de 1991, Leo Fender morreu, mantendo-se em actividade até essa data. O seu amigo George Fullerton com quem fundara a G&L, continuou na empresa como consultor e esta foi vendida á BBE. Os baixos da década de 80 conseguem encontrar-se a bons preços e são, sem dúvida um investimento para o futuro.
     Ao ver que os representantes em Portugal da G&L se situavam na zona, em Pombal, fui até lá para resolver um pequeno problema num selector e conhecer melhor os novos baixos... Bem, o som deste velho de 1988 arrasou. Não admira, porque mesmo batido e esmurrado, é um dos melhores baixos "clássicos" que já vi. Serial B017420, datado de 1985.
      Os baixos foram numerados a partir 500, sendo os primeiros para edições especiais. O primeiro baixo "comercial" tem o numero B000518, na ponte, em 1980. Em 1983, depois do serial B010382, esta identificação aparece também na placa do braço e, depois do B014266, de 1984, aparece sempre neste último local. A partir do numero B021788 já são de 1990 até 92. Depois de 92, já pouco importa... Ou não. Curiosamente, os G&L continuam a ser feitos na fábrica do Leo Fender em Fullerton, um lugar místico.

 

YAMAHA

 

MOTION MB

   A Tune Bassmaniac foi um baixo inovador quando saiu na segunda metade dos anos 80. A forma ergonómica e o look moderno foi copiado por muitas marcas. Uma delas foi a Yamaha que lançou o modelo Motion MB em duas versões, MBII e MBIII. Tive em tempos os dois modelos. Era um baixo de escala curta, com duas oitavas e uma cabeça peculiar. 
Foi o meu primeiro baixo novo (tive só mais 2 novos, o SR4 e o Fodera). Estavamos em finais dos anos 80 e nessa altura estava para sair  o melhor baixo Yamaha, o TRB 5P, ainda hoje um dos melhores.

   

TRB 5P

       A Yamaha nasceu em 1887 a vender órgãos e outros instrumentos. O primeiro baixo da Yamaha foi feito em 1966. A Yamaha foi uma das primeiras marcas a ter um baixo de 5 cordas. Jimmy Johnson, baixista de Alan Holdsworth e Lee Ritnour, em 1975 trabalhou com a Alembic um baixo com a 5ª corda que seria um C, mas substituiu por um B feito pela GHS. Em 1982 a Steinberger fez um baixo de 5 cordas headless e em 1984 a Yamaha lançou o modelo BB5000. A Yamaha associou os modelos da marca a artistas conhecidos de forma a melhor promover os instrumentos. O BB tinha o endorsement de Nathan East, os RBX, John Myiung e os TRB, John Patitucci, que teve um modelo seu. Os TRB foram muito usados no jazz de fusão durante os anos 90. Tinham um pickup piezzo instalado na ponte e dois single coils, configuração JP, construção neckthrou com braço em maple e mogno e hardware dourado. Por cá custava cerca de 600 contos (3.000 euros), por alturas de 1992. Era um instrumento caro para a época e, devido aos custos de fabrico, a empresa descontinuou o modelo. Era o primeiro baixo "boutique" da marca. Apesar disso o sucesso foi tão grande que por insistencia do público, a produção foi retomada com um modelo identico, o TRB 5P II que hoje se comercializa.

 

   
KRAMER

THE DUKE

        A Kramer foi fundada em 1976 e foi pioneira no uso de alumínio na construção dos braços. A escala usava um material sintético duro, do género do utilizado nos utensílios de bowling e tinha 0 radius, o que era peculiar nestes instrumentos. A produção de instrumentos com braço em alumínio durou até 1982, altura em que passou a usar a tradicional madeira. O hardware era de qualidade, Schaller, PUs DiMarzio. Em 83 as guitarras vinham equipadas com tremolo Floyd Rose, o que deu vantagem sobre outras marcas. Algumas parcerias com artistas conhecidos como Eddie Van Halen, Ritchie Sambora, Gene Simmons ou Louis Johnson, ajudaram a que a marca obtivesse sucesso em meados dos anos 80 e chegou mesmo a ser a mais vendida em 85 e 86, nesta altura com PUs Seymour Duncan.  A empresa recorreu á ESP para fazer os corpos e braços dos instrumentos. Em 1991, a empresa original acabou em 1991, devido a problemas financeiros causados pelo decréscimo da qualidade dos instrumentos, os contratos de endorsement que mantinha com os artistas e perdeu ainda uma acção judicial proposta pela Floyd Rose por causa dos tremolos usados nas guitarras. Longe dos anos de prestígio, depois de 1995, Henry Vaccaro, detentor do nome da marca tentou relançar, sem sucesso, alguns modelos. Tentou ainda lançar algumas guitarras com o braço de alumínio com o seu nome, mas não obteve sucesso. A Kramer foi comprada pela Gibson.
        Este baixo, designado "The Duke", foi inspirado na serie L do Ned Steinberger. PUs DiMarzio, passivo, braço de alumínio, serial # B4878, de 1981.


Alain, o testador oficial, "isto é tudo bom!"

JAYDEE

SUPERNATURAL Mark King

      Este é o baixo que ouvimos nas faixas que popularizaram os Level 42 e particularmente Mark King, o homem que toca e canta ao mesmo tempo como se não fosse nada e que popularizou o slap nos anos 80. Se bem que o slap foi reconhecidamente inventado pelo Larry Graham (Central Station) e divulgado pelo Stanley Clarke ainda nos anos 70. Jay Dee é um luthier britãnico e a marca continua activa www.jaydeeguitars.com.
    O modelo original do Supernatural foi feito em 1978 e foi o usado pelo Mark. Martin Kemp dos Spandau Ballet foi outro dos utilizadores nos 80's, assim como Angus Young com uma JD inspirada no modelo SG Gibson e até o Jaco Pastorius foi apanhado com um JD num raro concerto com Scott Henderson. Mais tarde Mark King viria a passar-se para a Alembic e depois para os Status.     Este é o 05713, de 1985. O braço é um set neck. O corpo é laminado em mogno do Brasil, os PUs SN 2000 são revestidos também a madeira, pré com equalizador de 3 bandas, entradas jack e XLR. Modo passivo/activo. Sinais particulares destes baixos são o led do comutador dos PUs, o revestimento destes em madeira, o que só agora é usado por algumas marcas novas como a Jerzy Drodz, a altura dos PUs é ajustada por 4 parafusos na traseira do corpo e o setneck usado pela Smith, Fodera e Zon. Os J&D Já são clássicos.

   


windows 8 virtual desktop 

CLICK PARA PARTE 2
BASS COLLECTION
IBANEZ
RICKENBACKER
ZON
STATUS
PEDULLA
ALEMBIC

 

início